| Propriedade | Euro | Ouro | Bitcoin |
|---|---|---|---|
| Oferta fixa | ❌ | 🟡 | ✅ |
| Verificável | ❌ | 🟡 | ✅ |
| Portátil | 🟡 | ❌ | ✅ |
| Sem intermediário | ❌ | ❌ | ✅ |
| Divisível | 🟡 | ❌ | ✅ |
| Incensurável | ❌ | ❌ | ✅ |
| Programável | ❌ | ❌ | ✅ |
A Summer Meng, conhecida na indústria como a Rainha dos ASICs e CEO da Bitmars, escreve o prefácio deste livro com uma perspectiva única: a de quem entrou na mineração em 2021 sem qualquer guia de referência.
A mineração é o que mantém o bitcoin vivo. É o processo essencial que mantém a rede descentralizada e livre de censura. Para alguns, a mineração é tão simples quanto "liga a máquina, usa electricidade, ganha bitcoin". Na realidade, é muito mais do que isso.
A mineração é o processo de Prova de Trabalho (Proof of Work) que garante a integridade do bitcoin. Cada bloco minerado é um selo criptográfico de verdade, que confirma transacções sem necessitar da autorização de qualquer autoridade central.
Kristian Csepcsar saiu da KPMG em 2019 e entrou de cabeça no mundo do bitcoin. A ideia de escrever este livro surgiu enquanto conduzia um Mustang pelo Oklahoma até a uma quinta onde se minera bitcoin usando gás de queima.
Estudou informática aplicada à economia, trabalhou como auditor de TI na KPMG e depois encontrou o seu trabalho de sonho como director de marketing na Braiins — o primeiro e mais antigo pool de mineração bitcoin do mundo, em actividade desde 2010.
O seu objectivo com este livro é levar qualquer pessoa de zero compreensão até conseguir falar sobre mineração em toda a indústria... e efectivamente minerar.
| Carteira | Preço | Open Source | Nível | Air-gap | BAC |
|---|---|---|---|---|---|
| Coldcard Mk4 | ~150$ | ✅ | Avançado | ✅ | ⭐ Top |
| SeedSigner | ~50$ | ✅ | Intermédio | ✅ | ⭐ Top DIY |
| Foundation Passport | ~199$ | ✅ | Iniciante | ✅ | ✅ Bom |
| Bitkey (Block) | ~150$ | ✅ | Iniciante | 🟡 | ✅ Bom |
| Trezor Model T | ~179$ | ✅ | Iniciante | ❌ | 🟡 OK |
| Ledger | ~79$ | 🟡 | Iniciante | ❌ | ⚠ Evitar |
O Bitcoin não existe numa empresa, num servidor ou numa organização central. Existe porque, neste momento, dezenas de milhares de pessoas em todo o mundo têm um computador ligado em casa a verificar cada transação e cada bloco da rede. São elas — não os bancos, não os governos, não as exchanges — que sustentam o Bitcoin. A rede é as pessoas.
Quando corres um nó completo, o teu computador descarrega toda a blockchain desde o bloco génesis e verifica independentemente cada regra do protocolo: a oferta máxima de 21 milhões, a validade de cada assinatura, a sequência de cada bloco. Não acreditas em nenhum servidor externo. Não confias na palavra de ninguém. Verificas tu próprio.
E aqui reside algo extraordinário: o consenso do Bitcoin funciona por unanimidade real. Basta uma única pessoa no mundo não concordar com uma alteração proposta ao protocolo para que essa alteração não avance — desde que essa pessoa continue a correr o seu nó com as regras originais. Não há votação de acionistas, não há CEO, não há decreto. Há código e há pessoas. Esta é a verdadeira democratização do dinheiro: literalmente todos, em consenso, participam.
Quando ligas a Sparrow Wallet ao teu próprio nó, as transações que vês são verificadas pelo teu computador, com as tuas regras. Ninguém sabe o teu saldo. Ninguém pode mentir-te sobre a blockchain. Chama-se auto-soberania — e começa aqui.
Antes de escolheres o hardware e o software, importa perceber o que um "nó" pode ser. Há três tipos principais, com diferentes compromissos entre soberania, espaço em disco e velocidade.
Descarrega e guarda toda a blockchain desde o bloco génesis (Jan 2009). Verifica cada transação e cada bloco independentemente. Necessitas de cerca de 700 GB+ de espaço (a crescer ~50 GB/ano).
Verifica toda a blockchain durante a sincronização inicial, mas depois apaga os blocos antigos. Com prune=50000 (~50 GB) tens verificação completa com muito menos espaço.
Não descarrega nem verifica a blockchain. Confia em nós de terceiros para confirmar transações. É o que a maioria das carteiras móveis usa por omissão. Sem soberania real.
Recomendação BAC: Para um Raspberry Pi 5 com SSD de 1 TB, o Pruned Node é o ponto de partida ideal. Para quem tem SSD de 2 TB+, vai de Full Node — tens mais soberania e contribuis ativamente para a descentralização da rede.
A abordagem mais soberana e educativa. Instalas o sistema operativo, o Bitcoin Core e configuras tudo manualmente — linha por linha. Esta é a opção que este guia cobre em detalhe.
Esta é a opção que o guia abaixo cobre passo a passo — do hardware à ligação com a Sparrow Wallet via Tor.
Interface web bonita, estilo App Store. Instala Bitcoin Core, Lightning e Electrs com um clique. Tor activo por omissão. Boa escolha para quem nunca usou Linux. Sincronização: 3–7 dias.
Interface SSH com menus. Todo o código é MIT open source e auditável. Inclui Bitcoin Core, Lightning (LND/CLN), Electrs, BTCPay, CoinJoin. Para quem quer aprender e ter controlo total. A partir da v1.12 suporta boot por NVMe.
O que precisas: Raspberry Pi 5 (8GB) + SSD NVMe ou USB externo (2TB) + fonte oficial 27W + cabo Ethernet. O Umbrel OS instala-se directamente no NVMe — sem necessidade de cartão microSD separado para armazenamento.
Vai a umbrel.com e descarrega a imagem Umbrel OS para Raspberry Pi (ficheiro .img.xz). De seguida, descarrega o Balena Etcher — é a ferramenta que vai gravar o Umbrel OS directamente no teu NVMe ou disco USB.
Recomendado: Instala o Umbrel OS directamente no NVMe ou disco USB externo — não no cartão microSD. O cartão SD desgasta-se demasiado rápido com as operações constantes de um nó Bitcoin.
Liga o teu NVMe ao computador via adaptador USB (ou o disco USB ao computador). Abre o Balena Etcher, clica em Flash from file, selecciona a imagem Umbrel OS, escolhe o teu NVMe/USB como destino e clica em Flash!. Demora 5–10 minutos.
Agora liga o NVMe (via HAT) ou o disco USB ao Raspberry Pi. Liga o Pi à rede via cabo Ethernet e por último liga a fonte de alimentação oficial. O Pi arranca sozinho.
Aguarda 5–10 minutos após ligar o Pi (o primeiro arranque demora mais). Depois abre qualquer browser e vai a:
http://umbrel.local
# Se não funcionar, usa o IP do Pi (vê no router como no guia DIY)
http://192.168.1.XXXCria o teu nome de utilizador e palavra-passe quando pedido. Guarda-os bem — são necessários para cada acesso.
No dashboard do Umbrel, vai à App Store e instala Bitcoin Node (powered by Bitcoin Core). O download e a sincronização começam automaticamente — vai demorar 3–7 dias dependendo da tua ligação.
Instala também o Electrs (Electrum Rust Server) para poderes ligar a Sparrow Wallet ao teu nó. Encontra-o na App Store como "Electrum Server".
O Umbrel activa o Tor automaticamente para todas as ligações — não precisas de configurar nada. O teu nó fica acessível via endereço .onion de qualquer parte do mundo.
No Umbrel, vai ao Bitcoin Node → Connect Wallet. Copia o endereço Tor (.onion) e as credenciais. Na Sparrow: File → Preferences → Server → Private Electrum. Cola o endereço .onion do Electrs (porta 50001). Clica em Test Connection.
Nota de segurança: O Umbrel usa HTTP (sem encriptação). Nunca acedas ao painel via ligação não confiável fora de casa. Usa sempre o endereço .onion ou VPN se precisares de acesso remoto.
Vantagem do Mini-PC ou PC reciclado: Um processador x86 sincroniza a blockchain em 24–48 horas em vez dos 3–7 dias do Raspberry Pi. Se já tens um PC em casa, o custo é zero. Este guia instala Ubuntu Server + Bitcoin Core + Tor — sem interfaces gráficas, máxima soberania.
Descarrega o Ubuntu Server 24.04 LTS em ubuntu.com/download/server. Grava numa pen USB (usa Balena Etcher ou Raspberry Pi Imager). Arranca o PC pela pen USB e segue o instalador. Durante a instalação:
satoshi (não uses o teu nome real)Liga via SSH do teu computador principal ou directamente com teclado+monitor. Actualiza o sistema e instala o Tor e o firewall:
sudo apt update && sudo apt upgrade -y sudo apt install -y ufw fail2ban tor curl gpg git
# Bloqueia tudo por omissão, permite só o necessário sudo ufw default deny incoming sudo ufw default allow outgoing sudo ufw allow ssh # porta 22 — acesso SSH sudo ufw allow 8333/tcp # porta Bitcoin P2P sudo ufw enable
Sempre verifica a assinatura criptográfica antes de instalar — é como o Bitcoin: não confias, verificas:
VERSION="29.0" cd /tmp # Descarregar binários + ficheiros de verificação curl -O https://bitcoincore.org/bin/bitcoin-core-$VERSION/bitcoin-$VERSION-x86_64-linux-gnu.tar.gz curl -O https://bitcoincore.org/bin/bitcoin-core-$VERSION/SHA256SUMS curl -O https://bitcoincore.org/bin/bitcoin-core-$VERSION/SHA256SUMS.asc # Importar chaves dos developers do Bitcoin Core git clone https://github.com/bitcoin-core/guix.sigs /tmp/guix.sigs gpg --import /tmp/guix.sigs/builder-keys/* # Verificar hash SHA256 sha256sum --check --ignore-missing SHA256SUMS # Verificar assinatura PGP (procura "Good signature from") gpg --verify SHA256SUMS.asc
tar xzf bitcoin-$VERSION-x86_64-linux-gnu.tar.gz
sudo install -m 0755 -o root -g root -t /usr/local/bin bitcoin-$VERSION/bin/*
# Verificar:
bitcoin-cli --versionCria o directório de dados e o ficheiro de configuração. Esta configuração activa o Tor para máxima privacidade — o teu IP nunca é revelado à rede Bitcoin:
mkdir -p ~/.bitcoin nano ~/.bitcoin/bitcoin.conf
onlynet=onion garante que o Bitcoin Core nunca se liga via IP real — apenas via Tor. O teu ISP não sabe que estás a correr um nó Bitcoin.
O systemd garante que o Bitcoin Core arranca automaticamente sempre que o PC liga:
sudo nano /etc/systemd/system/bitcoind.service
sudo systemctl daemon-reload
sudo systemctl enable bitcoind
sudo systemctl start bitcoind
# Monitorizar sincronização (Ctrl+C para sair):
watch bitcoin-cli getblockchaininfo"verificationprogress" sobe de 0 até 1.000000 — processo que demora 24–72h num mini-PC moderno.Depois da sincronização completa, verifica o teu endereço Tor:
bitcoin-cli getnetworkinfo | grep -A5 'onion' # Procura a linha "address" com .onion no final # Esse é o teu endereço Bitcoin .onion
Na Sparrow Wallet: File → Preferences → Server → Bitcoin Core. Usa 127.0.0.1:8332 localmente, ou o endereço .onion para acesso remoto via Tor. Introduz rpcuser e rpcpassword do bitcoin.conf.
Nó soberano completo com privacidade máxima. O teu IP nunca é revelado. Verificas as tuas próprias transacções. Não confias em ninguém.
Entende o trade-off: Com hardware Plug & Play, compras conveniência em troca de menor transparência sobre o que está instalado. Para máxima soberania, o caminho DIY é insubstituível. Mas se o objetivo é simplesmente ter um nó a funcionar sem curva de aprendizagem, estas opções são legítimas.
Hardware dedicado da equipa Umbrel. Umbrel OS pré-instalado, sincroniza automaticamente ao ligar. Interface web acessível.
Hardware com StartOS — foco em privacidade e auto-soberania total. Bitcoin Core, Lightning, Tor integrado. Permite também auto-hospedar email, VPN e mais.
Disponível pré-montado ou como imagem SD para Raspberry Pi. Inclui Bitcoin Core, Lightning, Electrum Server e acesso remoto via Tor. Versão gratuita também disponível.
Remove o equipamento da caixa. Não ligas ainda à alimentação. Verifica se tens:
Liga o cabo Ethernet ao router antes de ligar à alimentação. A ligação de rede é obrigatória desde o primeiro arranque.
Liga à alimentação. Aguarda 3–5 minutos para o primeiro arranque. Depois, no browser do teu computador:
http://umbrel.local
http://embassy.local
Cria o teu utilizador e uma palavra-passe forte e única. Faz o backup do seed de recuperação se o sistema o pedir — guarda-o offline em papel.
Na App Store do dispositivo, instala Bitcoin Node (Bitcoin Core). A sincronização inicia automaticamente — pode demorar 3–10 dias dependendo da velocidade da internet e do hardware. Não desliges o dispositivo durante este processo.
Instala também o Electrum Server (Electrs ou Fulcrum, conforme o disponível) para ligar posteriormente a Sparrow Wallet.
Na maioria dos dispositivos P&P, o Tor é activado por omissão. Confirma que está activo nas definições. Navega até Bitcoin Node → Connect Wallet (ou equivalente) para obteres o endereço .onion do Electrum Server — é este endereço que vais usar na Sparrow.
Com Tor activo, o teu endereço IP nunca é revelado à rede Bitcoin. Mesmo o teu ISP não sabe que estás a consultar a blockchain.
Na Sparrow: File → Preferences → Server → Private Electrum. Usa o endereço .onion do Electrum Server (porta 50001 para TCP). Clica em Test Connection.
Próximos passos recomendados: Mantém o firmware/OS actualizado (normalmente um clique na interface web). Activa notificações de erros se disponível. Não desligues o dispositivo desnecessariamente — a blockchain precisa de estar sempre sincronizada.
| Dispositivo | OS Open Source | Tor | Custo | Dificuldade Setup |
|---|---|---|---|---|
| Umbrel Home | Parcialmente | ✅ Por omissão | ~€350–€500 | Muito baixa |
| Start9 Embassy Pure | ✅ StartOS é open source | ✅ Por omissão | ~€400–€600 | Baixa |
| MyNode Premium | ❌ Não open source | ✅ Disponível | ~€200–€300 | Baixa |
| Pi 5 + Bitcoin Core DIY | ✅ 100% open source | ✅ Configurável | €225–€340 | Média |
| Opção | Soberania | Dificuldade | Custo (PT) | Eletricidade | Aprendizagem |
|---|---|---|---|---|---|
| Raspberry Pi + Bitcoin Core DIY | ★★★★★ | Média | €150–€250 | ~5W (€1–3/mês) | Máxima |
| Raspberry Pi + RaspiBlitz | ★★★★ | Média-baixa | €150–€250 | ~5W (€1–3/mês) | Alta |
| Raspberry Pi + Umbrel | ★★★ | Baixa | €150–€250 | ~5W (€1–3/mês) | Média |
| Mini-PC + Bitcoin Core | ★★★★★ | Média | €200–€400 | ~20W (€4–8/mês) | Alta |
| Umbrel One / Start9 | ★★★ | Muito baixa | €300–€600 | ~8W (€2–4/mês) | Baixa |
Todas as opções abaixo são de lojas europeias — sem alfândegas, sem taxas de importação. Os preços são aproximados.
Este kit Amazon ES é um pacote completo: inclui o Raspberry Pi 5 8GB, fonte oficial 27W, caixa Airflow, cooler activo, HAT PCIe NVMe, cartão microSD 64GB + leitor USB e cabos. A única coisa em falta é o SSD NVMe — que compras em separado.
Alternativa económica: Raspberry Pi 5 4GB (~€80) com SSD externo USB 3.0 de 2 TB (~€70) reduz o total para ~€180–€220. Não precisas do HAT NVMe. A sincronização demora um pouco mais mas funciona perfeitamente.
Lojas 100% portuguesas: PTRobotics, Electrofun (loja física no Porto) e BotNRoll têm envio rápido a partir de Portugal continental — sem qualquer preocupação com alfândegas.
Lojas europeias sem alfândega: Kubii.com (França, envia para PT), PcComponentes.pt (Espanha, envia para PT) e Amazon.es são totalmente dentro da UE — sem taxas extras.
Antes de começar — percebe onde estás a fazer o quê
Este guia tem dois "locais" onde as coisas acontecem, e é importante não os confundir:
💻 O teu computador principal (Windows, macOS ou Linux) — aqui vais usar o browser e o terminal para dar instruções ao Raspberry Pi. No Passo 1 também vais usar aqui o Raspberry Pi Imager.
🍓 O Raspberry Pi — é aqui que tudo fica instalado: o sistema operativo, o Bitcoin Core, o Tor, a blockchain. Tu nunca ligas monitor ou teclado ao Pi. Controlas-o à distância a partir do teu computador, através de uma ligação SSH (explicada no Passo 2).
A partir do Passo 2, sempre que vires 🍓 No Raspberry Pi (via SSH), estás a dar comandos ao Pi através do terminal do teu computador. Os ficheiros que crias, os programas que instalas e a blockchain que descarregas — tudo fica no Pi, no SSD que lhe ligaste. O teu computador é apenas uma janela.
O que são as linhas verdes com # nos blocos de código?
No Bitcoin Core (e em muitos ficheiros de configuração Linux), qualquer linha que comece por # é um comentário — uma nota escrita para ti, humano. O programa ignora-as completamente quando lê o ficheiro. Podes alterar o texto de um comentário, apagá-lo ou adicionar os teus próprios # sem que isso mude o comportamento do nó. O que importa são as linhas sem # no início — são essas que o Bitcoin Core lê e executa.
Por exemplo: # isto é um comentário — podes mudar ou apagar não faz nada. Mas server=1 diz ao Bitcoin Core para aceitar comandos.
Nunca usaste um terminal?
Não te preocupes. O terminal é simplesmente uma janela onde escreves comandos de texto em vez de clicar em botões. Cada passo tem um botão "Copiar" — não precisas de escrever nada à mão. Copias, colas no terminal (Control+Shift+V no Linux/Windows, Command+V no macOS) e carregas Enter. É mesmo assim.
Cada passo inclui também uma simulação do que vais ver no ecrã, para saberes se está a correr bem antes de avançar.
Neste primeiro passo vais usar o teu computador principal para instalar o sistema operativo do Raspberry Pi num cartão microSD. É como "queimar" uma pen USB com um sistema operativo, mas muito mais simples — existe um programa que faz tudo automaticamente.
Vai a raspberrypi.com/software, descarrega o Raspberry Pi Imager e instala-o. É gratuito e disponível para Windows, macOS e Linux. Depois insere o cartão microSD no teu computador (usa o adaptador SD ou um leitor USB caso necessário) e abre o Imager.
Antes de carregar em "Write/Gravar", clica no ícone ⚙ de configurações avançadas (aparece depois de seleccionares o dispositivo e o OS) e preenche exactamente assim:
Clica "Save", depois "Write". O Imager formata e grava o cartão automaticamente — pode demorar alguns minutos. Quando terminar, ejeta o cartão com segurança, insere-o no slot microSD do Raspberry Pi, liga o SSD NVMe (ou USB) e por último a fonte de alimentação. O Pi arranca sozinho, sem monitor.
Liga o Raspberry Pi à rede via cabo Ethernet diretamente ao router. O Wi-Fi é instável para um servidor que vai transferir centenas de gigabytes. Ethernet é mais rápido, mais estável e mais seguro.
Como abrir o terminal no teu computador: no Windows, prime a tecla Windows, escreve "PowerShell" e Enter. No macOS, prime Command+Espaço, escreve "Terminal" e Enter. No Linux, prime Control+Alt+T.
Antes de te ligares, precisas de saber o endereço IP do Pi na tua rede local. O endereço IP é como o "número de casa" do Pi na tua rede doméstica — por exemplo, 192.168.1.105. Para o encontrar, abre o browser do teu computador e vai ao painel do router (normalmente em 192.168.1.1 ou 192.168.0.1 — experimenta os dois). Faz login (as credenciais estão normalmente na etiqueta por baixo do router) e procura uma secção chamada "Dispositivos Ligados", "DHCP Clients" ou similar.
| Nome do dispositivo | Endereço IP | MAC Address | Estado |
|---|---|---|---|
| bitcoinnode | 192.168.1.105 | dc:a6:32:ab:12:34 | ● Online |
| MacBook-de-Joao | 192.168.1.100 | a4:c3:f0:... | ● Online |
| iPhone-de-Ana | 192.168.1.101 | b8:27:eb:... | ● Online |
Com o IP em mãos, escreve no terminal do teu computador:
ssh bitcoin@bitcoinnode.local
# Se o nome não funcionar, usa o IP directamente (substitui pelo IP real):
ssh bitcoin@192.168.1.105
bitcoin@bitcoinnode:~$ estás dentro do Pi.Agora estás "dentro" do Pi. Qualquer comando que escreveres a seguir é executado no Raspberry Pi. O teu computador é apenas a janela. Começa por atualizar o sistema:
sudo apt update && sudo apt upgrade -y sudo apt install -y ufw fail2ban git curl wget htop
$ volta a aparecer, terminou.sudo ufw default deny incoming # bloqueia todas as ligações de entrada por padrão sudo ufw default allow outgoing # permite ligações de saída sudo ufw allow ssh # permite a tua ligação SSH sudo ufw allow 8333/tcp # porta da rede Bitcoin P2P sudo ufw enable # ativa o firewall
y e carrega Enter.O cartão microSD tem apenas o sistema operativo. A blockchain Bitcoin (centenas de gigabytes) vai ser guardada no SSD que ligaste ao Pi. Neste passo vais formatar o SSD e configurá-lo para montar automaticamente sempre que o Pi arrancar.
lsblk
nvme0n1. Um SSD ligado via USB aparece como sda. Usa o nome correto nos comandos seguintes — substitui nvme0n1 por sda se for o teu caso.# Formata o SSD com o sistema de ficheiros ext4 (padrão Linux) # ATENÇÃO: este comando apaga TUDO o que estiver no SSD sudo mkfs.ext4 /dev/nvme0n1 # Cria a pasta onde a blockchain vai ficar sudo mkdir -p /mnt/bitcoin # Monta o SSD nessa pasta sudo mount /dev/nvme0n1 /mnt/bitcoin # Descobre o UUID do SSD — vais precisar dele a seguir sudo blkid /dev/nvme0n1
/dev/nvme0n1: UUID="a1b2c3d4-xxxx-xxxx-xxxx-xxxxxxxxxxxx" TYPE="ext4"/etc/fstab é uma lista que o sistema operativo lê no arranque para saber quais os discos que deve montar e onde. Se não adicionarmos o SSD aqui, quando o Pi reiniciar o SSD não ficará montado e o Bitcoin Core não encontrará os dados da blockchain.sudo nano /etc/fstab
Vai ao fim do ficheiro (seta para baixo) e adiciona esta linha, substituindo o UUID pelo que copiaste do blkid:
UUID=cola-aqui-o-teu-UUID /mnt/bitcoin ext4 defaults,noatime 0 2
Y → Enter. O ficheiro fica guardado e o nano fecha.sudo mkdir -p /mnt/bitcoin/bitcoindata sudo chown bitcoin:bitcoin /mnt/bitcoin/bitcoindata
wget a seguir, é o próprio Pi que vai à internet buscar o ficheiro e guarda-o na sua memória interna. Nada passa pelo teu computador — o Pi descarrega directamente para si próprio. Depois, quando instalas os binários, eles ficam instalados no Pi. E quando o Bitcoin Core começa a sincronizar a blockchain, ela vai sendo guardada no SSD (em /mnt/bitcoin/bitcoindata) — também directamente no Pi.A verificação de assinatura é obrigatória. Nunca instales o Bitcoin Core sem verificar. Este passo confirma que descarregaste o software legítimo e não foi adulterado por terceiros — é a materialização prática de "não confies, verifica".
Vai a bitcoincore.org para confirmar qual é a versão mais recente. O Raspberry Pi 5 usa arquitectura ARM64 (aarch64).
# Define a versão — confirma sempre a mais recente em bitcoincore.org VERSION="28.0" cd ~ # Descarrega o software e os ficheiros de verificação wget https://bitcoincore.org/bin/bitcoin-core-$VERSION/bitcoin-$VERSION-aarch64-linux-gnu.tar.gz wget https://bitcoincore.org/bin/bitcoin-core-$VERSION/SHA256SUMS wget https://bitcoincore.org/bin/bitcoin-core-$VERSION/SHA256SUMS.asc
sha256sum --ignore-missing --check SHA256SUMS
bitcoin-28.0-aarch64-linux-gnu.tar.gz: OK# Importa as chaves GPG oficiais gpg --keyserver hkps://keys.openpgp.org --recv-keys 01EA5486DE18A882D4C2684590C8019E36C2E964 # Verifica a assinatura gpg --verify SHA256SUMS.asc SHA256SUMS
gpg: Good signature from "Wladimir J. van der Laan..."tar -xzf bitcoin-$VERSION-aarch64-linux-gnu.tar.gz
sudo install -m 0755 -o root -g root -t /usr/local/bin bitcoin-$VERSION/bin/*
# Confirma que está instalado (deve mostrar a versão)
bitcoind --version
Bitcoin Core version v28.0.0 (ou a versão que instalaste)O ficheiro bitcoin.conf é o "cérebro" da configuração do teu nó. É um ficheiro de texto simples que o Bitcoin Core lê quando arranca, definindo onde guardar os dados, quem pode ligar-se, que porta usar, e (mais tarde) as configurações do Tor. Cria a pasta e abre o editor:
mkdir -p ~/.bitcoin nano ~/.bitcoin/bitcoin.conf
O nano abre em branco. Copia e cola todo o bloco abaixo. Não precisas de escrever nada à mão — usa o botão "Copiar tudo" e depois cola no nano com Control+Shift+V (Linux/Windows) ou Command+V (macOS).
# ═══════════════════════════════════════════════════════ # BITCOIN.CONF — BAC Dashboard · Nó Soberano # ═══════════════════════════════════════════════════════ # # NOTA SOBRE OS COMENTÁRIOS (linhas que começam por #): # Estas linhas são notas para ti — o Bitcoin Core ignora-as # completamente. Podes alterar o texto delas, apagá-las ou # adicionar as tuas próprias sem afetar o funcionamento do nó. # O que importa são as linhas SEM # no início. # ═══════════════════════════════════════════════════════ # ── Onde guardar os dados da blockchain ───────────────── datadir=/mnt/bitcoin/bitcoindata # ── Servidor e índices ─────────────────────────────────── server=1 # aceita comandos RPC — necessário para ligar a Sparrow txindex=1 # índice completo de transações — ativa funções extra na Sparrow daemon=1 # corre em segundo plano sem bloquear o terminal # ── Desempenho durante a sincronização inicial ─────────── dbcache=2048 # 2 GB de RAM como cache — acelera muito a sync inicial # Depois da sync a 100%, reduz para 512 (ver nota no Passo 7) maxconnections=40 # ── Acesso RPC (comunicação com a Sparrow Wallet) ──────── rpcuser=bitcoinrpc rpcpassword=MUDA_ISTO_PARA_UMA_PALAVRA_PASSE_LONGA_E_ALEATORIA rpcallowip=127.0.0.1 rpcallowip=192.168.1.0/24 # permite acesso da rede local rpcbind=0.0.0.0 rpcport=8332 # ── Tor — activamos no Passo 9 (deixa comentado por agora) #proxy=127.0.0.1:9050 #onlynet=onion #listenonion=1 #bind=127.0.0.1 #dnsseed=0 #dns=0
rpcpassword para uma palavra-passe longa e aleatória da tua escolha — por exemplo Bitcoin2025NodeSoberano!XPT. Guarda-a num local seguro (um gestor de passwords, por exemplo) — vais precisar dela para ligar a Sparrow ao teu nó.Y → Enter. O ficheiro fica guardado e o nano fecha.sudo nano /etc/systemd/system/bitcoind.service
O nano abre em branco. Cola o conteúdo abaixo:
[Unit] Description=Bitcoin Core Daemon After=network-online.target mnt-bitcoin.mount Wants=network-online.target [Service] ExecStart=/usr/local/bin/bitcoind -conf=/home/bitcoin/.bitcoin/bitcoin.conf ExecStop=/usr/local/bin/bitcoin-cli stop User=bitcoin Group=bitcoin Type=forking Restart=on-failure RestartSec=30s TimeoutStopSec=600 [Install] WantedBy=multi-user.target
Guarda (Control+X → Y → Enter) e ativa o serviço:
sudo systemctl daemon-reload # diz ao sistema para ler o novo ficheiro de serviço sudo systemctl enable bitcoind # regista o serviço para arrancar automaticamente sudo systemctl start bitcoind # inicia o Bitcoin Core agora mesmo sudo systemctl status bitcoind # verifica que está a correr
● bitcoind.service - Bitcoin Core Daemon Active: active (running) since...nano ~/.bitcoin/bitcoin.conf e verifica se há erros de escrita — um espaço mal colocado ou uma letra errada já chega para falhar.O Bitcoin Core vai agora descarregar e verificar toda a blockchain desde o bloco génesis de Janeiro de 2009 — directamente para o SSD do Pi. Este processo pode demorar entre 3 e 7 dias num Raspberry Pi 5 com NVMe. É completamente normal e é o passo mais demorado de todo o guia.
Não precisas de fazer nada durante este tempo — podes fechar o terminal, o Pi continua a trabalhar sozinho. Ligas de novo via SSH quando quiseres verificar o progresso.
# verificationprogress: 0.0 = 0% concluído · 1.0 = 100% concluído bitcoin-cli getblockchaininfo | grep -E "blocks|verificationprogress" # Ver o log ao vivo (prime Ctrl+C para sair) tail -f /mnt/bitcoin/bitcoindata/debug.log
Reduzir o dbcache após a sync estar a 100%
O dbcache=2048 usa 2 GB de RAM como cache para acelerar a sincronização. Depois de a sync terminar, podes reduzir para libertar memória para outras tarefas. Para o fazer, liga-te ao Pi via SSH e edita o bitcoin.conf:
# Abre o bitcoin.conf no nano (estás no Pi via SSH) nano ~/.bitcoin/bitcoin.conf # Dentro do nano, encontra a linha: dbcache=2048 # E muda para: dbcache=512 # Guarda (Ctrl+X → Y → Enter) e reinicia o Bitcoin Core: sudo systemctl restart bitcoind
.onion anónimo.sudo apt install -y tor
$ volta a aparecer.sudo nano /etc/tor/torrc
Dentro do ficheiro torrc, procura as três linhas abaixo e remove o # do início de cada uma. Se não existirem, adiciona-as no fim do ficheiro:
ControlPort 9051 CookieAuthentication 1 CookieAuthFileGroupReadable 1
Guarda (Control+X → Y → Enter) e executa:
# Permite que o utilizador 'bitcoin' leia o cookie de autenticação do Tor sudo usermod -a -G debian-tor bitcoin # Reinicia o Tor para aplicar as alterações sudo systemctl restart tor # Verifica que o Tor está a correr sudo systemctl status tor
Active: active (running) — o Tor está instalado e a correr no Pi.Agora ativas as linhas Tor que deixámos comentadas no Passo 5. Para isso, abre o bitcoin.conf de novo com o nano — o mesmo editor de texto que usámos antes — e remove o # das linhas Tor.
nano ~/.bitcoin/bitcoin.conf
O nano abre com o ficheiro que criámos no Passo 5. Vai ao fim do ficheiro, encontra a secção Tor e remove o # de cada linha para que fique exactamente assim:
proxy=127.0.0.1:9050 # todas as ligações saem pelo Tor — o teu IP nunca é exposto onlynet=onion # só liga a nós .onion — sem ligações clearnet listenonion=1 # cria automaticamente o teu endereço .onion bind=127.0.0.1 # não aceita ligações directas de fora (só via Tor) dnsseed=0 # desativa consultas DNS que poderiam revelar o teu IP dns=0 # desativa resolução DNS direta debug=tor # ativa logs Tor — útil para diagnóstico addnode=kpgvmscirrdqpekbqjsvw5teanhatztpp2gl6eee4zkowvwfxwenqaid.onion:8333 addnode=bnx4povtqynvwnui5oqm5xcxqvat3j7yzgn6mqciuyszqawhuayvyaid.onion:8333
Guarda (Control+X → Y → Enter) e reinicia o Bitcoin Core:
sudo systemctl restart bitcoind # Aguarda ~2 minutos para o Tor criar o endereço .onion # Depois corre este comando para o ver: bitcoin-cli getnetworkinfo | grep -A5 "localaddresses"
"address": "XXXXXXXXXXXXXXXXXX.onion",Com onlynet=onion, o teu nó nunca faz ligações clearnet. Todo o tráfego passa pelo Tor. O teu endereço IP real nunca é revelado à rede Bitcoin.
Com o nó sincronizado e a correr, podes ligar a Sparrow ao teu próprio nó. A partir deste momento, a Sparrow verifica transações com o teu nó — sem expor o teu saldo ou endereços a terceiros.
Nota sobre a navegação na Sparrow — como aceder às preferências: A localização do menu de preferências depende do sistema operativo. No macOS, clica em "Sparrow" na barra de menus do topo esquerdo → "Preferences...". No Windows e Linux, vai a "File" → "Preferences". Em ambos os casos, na janela de preferências que abre, clica no separador "Server" na barra lateral esquerda.
Usa quando estás em casa, na mesma rede Wi-Fi que o Pi. O IP local pode mudar se o router reiniciar — se isso acontecer, volta ao painel do router e confirma o novo IP.
http://192.168.1.XXX (IP do Pi)8332bitcoinrpc · Pass: (a que definiste no Passo 5)Usa o endereço .onion do teu nó em vez do IP local. Esta opção oferece vantagens significativas — lê a explicação abaixo.
XXXXXXXXXX.onion (o teu endereço .onion do Passo 9)8332127.0.0.1:9050 (o Tor local)bitcoinrpc · Pass: (a tua password)A diferença entre usar o IP local (Opção A) e o endereço .onion (Opção B) vai muito além da privacidade:
Se um dia instalares um nó Lightning Network no mesmo Raspberry Pi (como o LND ou o CLN), o endereço .onion permite-te gerir os teus canais de pagamento — abrir, fechar, reequilibrar — de qualquer parte do mundo, de forma completamente privada. Não precisas de estar em casa. Não precisas de abrir portas no router. É a combinação perfeita de soberania e mobilidade.
Connected to Bitcoin Core v28.0.0 on mainnet · Blocks: 888,XXXA partir deste momento, a Sparrow usa o teu nó para tudo: verificar recepções, enviar transações, consultar histórico. O teu saldo nunca sai da tua rede. Nenhum servidor externo sabe que endereços te pertencem.
Para uma privacidade ainda maior, podes instalar um servidor Electrum no mesmo Pi. O Electrs ou Fulcrum indexam toda a blockchain por endereço, permitindo à Sparrow encontrar o histórico instantaneamente sem expor as tuas chaves públicas ao Bitcoin Core local (que as guarda sem encriptação no disco).
Ligação na Sparrow: Preferences → Server → Private Electrum Server → IP local ou endereço .onion do Pi, porta 50001 (TCP) ou 50002 (SSL). Esta é a configuração usada pelo RaspiBlitz e Umbrel por omissão.
Guia de instalação detalhado: raspibolt.org → secção "Bitcoin → Electrum Server".
sudo apt update && sudo apt upgrade -y
tail -f /mnt/bitcoin/bitcoindata/debug.log
sudo systemctl status fail2ban
Quando sai uma nova versão — vai a bitcoincore.org para confirmar o número. Depois, liga-te ao Pi via SSH e repete os passos de descarregamento e verificação GPG do Passo 4 com a nova versão. Por fim:
# Para o Bitcoin Core sudo systemctl stop bitcoind # Instala os novos binários (repete o passo 4 com a nova versão) # tar -xzf bitcoin-XX.X-aarch64-linux-gnu.tar.gz # sudo install -m 0755 ... bitcoin-XX.X/bin/* # Reinicia sudo systemctl start bitcoind bitcoin-cli --version # confirma a nova versão
A blockchain não é apagada durante uma atualização. O Bitcoin Core retoma exactamente onde estava após o reinício.
Nunca expões o rpcport (8332) diretamente à internet. O acesso RPC deve ficar restrito à rede local ou ao Tor. Um nó com a porta RPC exposta à internet pode ser explorado.
Uma referência rápida para os termos técnicos usados neste guia. Guarda esta secção para consultar sempre que ficares em dúvida.
Uma janela de texto onde controlas o computador escrevendo comandos em vez de clicar em botões. No macOS chama-se "Terminal", no Windows "PowerShell" ou "Prompt de Comando", no Linux "Terminal" ou "Konsole". É a ferramenta principal deste guia — parece intimidante mas é apenas uma forma diferente de dar instruções ao computador.
Um protocolo que permite controlar um computador remotamente através de uma ligação encriptada. Quando te ligas ao Raspberry Pi via SSH, é como se abrires uma janela directa para o terminal do Pi — tudo o que escreves no teu computador é executado no Pi. A ligação é completamente encriptada, por isso ninguém na rede pode ver o que estás a fazer.
Um editor de texto simples que funciona dentro do terminal — é como o Bloco de Notas do Windows mas que abre na janela preta. Para guardar e sair: Control+X → Y → Enter. Para procurar texto dentro do ficheiro: Control+W.
A base de dados pública e imutável do Bitcoin, onde estão registadas todas as transações desde o primeiro bloco (Janeiro de 2009). É uma cadeia de blocos, onde cada bloco contém transações e aponta para o bloco anterior — tornando impossível alterar o histórico sem refazer toda a cadeia. Ao correres um full node, guardas uma cópia completa desta base de dados no teu SSD.
Um computador que descarrega e verifica toda a blockchain desde o bloco génesis, aplicando independentemente todas as regras do protocolo Bitcoin. Um full node não confia em terceiros — verifica tudo por si próprio. É a forma mais soberana de participar na rede Bitcoin.
Um nó que verifica a blockchain completa durante a sincronização inicial, mas depois apaga os blocos antigos para poupar espaço em disco. Mantém apenas os blocos mais recentes. A validação é exactamente igual a um full node — a diferença é que não guarda o histórico completo, por isso não pode fornecer dados antigos a outros nós.
O software de referência que implementa o protocolo Bitcoin. É o programa que transforma o teu Raspberry Pi num nó da rede Bitcoin. Desenvolvido por uma comunidade global de programadores de código aberto desde 2009. Descarregas-o em bitcoincore.org e é o que este guia instala.
Uma forma de um programa comunicar com outro programa — neste caso, como a Sparrow Wallet "fala" com o Bitcoin Core. Quando configuras o rpcuser e rpcpassword no bitcoin.conf, estás a criar as credenciais de acesso para que a Sparrow possa fazer perguntas ao teu nó: "qual é o saldo deste endereço?", "esta transação foi confirmada?".
A internet aberta e normal que usas todos os dias — Google, YouTube, qualquer site. Quando um nó Bitcoin faz ligações na clearnet, o seu endereço IP real (a identificação da sua ligação à internet) é visível a qualquer outro nó com quem se conecte. Isso permite saber que determinado IP está a correr um nó Bitcoin e potencialmente identificar a localização geográfica do operador.
Uma rede de privacidade que encripta o teu tráfego e o faz passar por vários servidores intermediários antes de chegar ao destino. Cada servidor só sabe de onde veio a ligação e para onde vai — nunca o percurso completo (daí o nome "cebola" — como as camadas de uma cebola). Com Tor, o teu endereço IP real nunca é revelado à rede Bitcoin.
Um endereço especial que só funciona dentro da rede Tor — por exemplo xyz123abc.onion. É gerado automaticamente pelo Bitcoin Core e serve como o "nome" do teu nó na rede Tor. É permanente (não muda), globalmente acessível (de qualquer país) e completamente anónimo. Ao partilhares o teu endereço .onion com a Sparrow, ela consegue ligar-se ao teu nó de qualquer parte do mundo.
Um tipo de SSD (disco de estado sólido) muito mais rápido que um SSD normal ou um disco rígido externo. Liga-se directamente ao barramento PCIe do Raspberry Pi 5 via um adaptador HAT. Para um nó Bitcoin, velocidade de leitura/escrita é importante — um NVMe pode ser 3-5x mais rápido que um SSD USB, o que reduz significativamente o tempo de sincronização inicial.
O sistema de gestão de serviços do Linux. É ele que decide quais os programas que arrancam automaticamente quando o Pi liga, que monitoriza se estão a correr e que os reinicia se falharem. Quando criámos o ficheiro bitcoind.service no Passo 6, dissemos ao systemd para gerir o Bitcoin Core como um serviço permanente.
Uma ferramenta simples para configurar as regras do firewall no Linux. O firewall decide quais as ligações de entrada que são permitidas ou bloqueadas. Configurámos o UFW no Passo 2 para bloquear todas as ligações de entrada excepto SSH (para te ligares ao Pi) e a porta 8333 (para a rede Bitcoin).
Uma ferramenta de segurança que monitoriza os logs do sistema e bloqueia automaticamente endereços IP que fazem demasiadas tentativas de acesso falhadas. Protege principalmente o SSH — se alguém tentar adivinhar a tua password SSH repetidamente, o fail2ban bloqueia esse IP. Instalámos no Passo 2 e funciona automaticamente em segundo plano.
Parâmetro do Bitcoin Core que define quanta RAM é usada como cache durante a sincronização da blockchain. Um valor mais alto (como 2048 MB) acelera muito a sincronização porque mantém mais dados em memória rápida em vez de ler constantemente do SSD. Depois da sync completa, pode ser reduzido para libertar memória para outras tarefas.
Parâmetro do Bitcoin Core que cria um índice completo de todas as transações da blockchain. Permite à Sparrow Wallet consultar qualquer transação histórica pelo seu ID — mesmo transações muito antigas. Requer mais espaço em disco mas ativa funcionalidades extra. Incompatível com o modo pruned.
Um servidor complementar ao Bitcoin Core que indexa a blockchain por endereço — em vez de por transação. Isto permite à Sparrow encontrar instantaneamente o histórico completo de qualquer endereço Bitcoin. O Electrs e o Fulcrum são as duas implementações mais populares de código aberto. Correm no mesmo Raspberry Pi que o Bitcoin Core.
A unidade fundamental de saldo no Bitcoin. Quando recebes Bitcoin, o que realmente recebes é um ou mais UTXOs — "saídas não gastas" de transações anteriores. O teu "saldo" é a soma de todos os UTXOs associados aos teus endereços. Quando envias Bitcoin, gastas UTXOs e crias novos. A Sparrow mostra-os na aba "UTXOs".
Uma camada de pagamentos construída sobre o Bitcoin que permite transações instantâneas e com taxas mínimas. Funciona através de "canais de pagamento" — dois utilizadores bloqueiam Bitcoin na blockchain principal e depois transacionam entre si fora da chain, sem esperar por blocos. Correr um nó Lightning no mesmo Pi que o Bitcoin Core (com LND ou CLN) é o passo seguinte após ter o nó a funcionar.
A "sala de espera" de transações que foram transmitidas à rede mas ainda não foram incluídas num bloco. Quando envias uma transação, ela vai primeiro para o mempool e espera que um miner a inclua num bloco. A dimensão do mempool e as taxas (fees) nele contidas determinam quanto tens de pagar para que a tua transação seja confirmada rapidamente.
| País | Isenção LT | Taxa | Notas |
|---|---|---|---|
| 🇵🇹 Portugal | ✅ +365 dias | 28% | Isenção total acima de 1 ano |
| 🇩🇪 Alemanha | ✅ +1 ano | 0% | Isenção total — um dos melhores |
| 🇳🇱 Holanda | 🟡 | Box 3 | Imposto sobre riqueza líquida (~1.2%/ano) |
| 🇫🇷 França | ❌ | 30% | Flat tax ("PFU") — sem isenção LT |
| 🇪🇸 Espanha | ❌ | 19-26% | Progressivo — sem isenção de prazo |
| 🇨🇭 Suíça | ✅ | 0% | Sem imposto sobre mais-valias em Bitcoin |
| 🇸🇻 El Salvador | ✅ | 0% | Bitcoin moeda legal — sem tributação |